Inseminação artificial em bovinos leiteiros

Inseminação artificial é a deposição mecânica do sêmen, com auxílio de instrumentos, no aparelho reprodutivo da fêmea

De todos os fatores que influenciam a eficiência econômica do sistema de produção, a reprodução é um dos mais importantes, visto que sem a mesma não há geração de produtos, sejam animais ou o próprio leite. Desta forma, quanto mais eficaz for o desempenho reprodutivo, maior será o retorno econômico.

De acordo com a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), em países como os Estados Unidos, França, Alemanha, Canadá e Holanda a inseminação artificial (IA) é realizada na grande maioria dos rebanhos. Assim, a melhoria observada no desempenho produtivo é atribuído à IA, por promover o melhoramento genético.

No Brasil, infelizmente, o uso da IA ainda é muito limitado. Por isso, é imprescindível que você, produtor rural, tenha conhecimento sobre esta tecnologia no campo.

inseminação artificial em bovino

O que é inseminação artificial?

A IA é a deposição mecânica, com auxílio de instrumentos, do sêmen no aparelho reprodutivo da fêmea. Sim, apenas isto!

Já a fecundação, que é a união do espermatozóide com o óvulo, e dá origem a um novo ser, ocorre naturalmente, sem interferência humana.

Resumindo: O papel da IA é promover a fecundação sem que a vaca tenha contato direto com o touro.

Vantagens da Inseminação Artificial em Bovinos Leiteiros

As principais vantagens da IA são:

  • Melhoramento genético do rebanho em menor tempo e a baixo custo;
  • Controle de doenças, pois os touros não têm contato direto com as vacas;
  • Cruzamento entre raças: a IA permite ao produtor o cruzamento de fêmeas zebuínas com touros taurinos e vice-versa, o que muitas vezes é dificultado pela monta natural pela baixa resistência dos touros europeus a um ambiente desfavorável;
  • Prevenção de acidentes com a vaca;
  • Prevenção de acidentes com o funcionário/produtor;
  • Aumento do número de descendentes de um reprodutor;
  • Controle zootécnico do rebanho;
  • Padronização do rebanho;
  • Utilização de touros mesmo após sua morte;
  • Redução da dificuldade de partos, pois com a seleção adequada de touros pode-se reduzir problemas, principalmente em novilhas.

Como implementar a inseminação artificial na fazenda?

Alguns instrumentos são necessários para que se possa trabalhar a IA. Então, fizemos para você uma lista com o que irá precisar:

  • Botijão com nitrogênio líquido (algumas associações de produtores possuem o botijão que pode ser utilizado por seus associados);
  • Sêmen;
  • Luvas descartáveis;
  • Bainhas descartáveis;
  • Aplicador;
  • Termômetro;
  • Cortador de palhetas;
  • Pinça;
  • Tesoura;
  • Papel toalha ou papel higiênico;
  • Garrafa térmica; e
  • Recipiente para descongelar o sêmen ou descongelador eletrônico.

Agora que você já sabe tudo que irá precisar, o próximo passo é fazer a detecção do cio da vaca. Sem a correta observação do cio, o sucesso da IA será prejudicado.

Recomenda-se, geralmente, duas ou mais observações diárias, sendo no início da manhã e no final da tarde, por pelo menos 60 minutos cada.

Como identificar cio em vacas?

Uma forma prática de detectar o cio é quando a vaca fica parada enquanto outro animal monta sobre ela. Outros sinais também são percebíveis, como vulva inchada e brilhante, cauda erguida, inquietação, micção (urinar) constante, perda de apetite e muco cristalino e transparente semelhante à clara de ovo. Contudo, apenas o aceite da monta garante que a fêmea está no cio.

A duração do cio é de 10 a 18 horas, com intervalo médio de 21 dias. O pré-cio dura de 4 a 10 horas e neste período a fêmea pode apresentar todos os sintomas descritos anteriormente, com exceção do aceite da monta.

Para auxiliar na detecção do cio, podem ser utilizados rufiões e fêmeas androgenizadas. Rufiões são machos que passaram por cirurgia para evitar a penetração e ejaculação no momento da monta. Fêmeas androgenizadas são, geralmente, novilhas que passam por um tratamento com testosterona. Estas fêmeas apresentam comportamento semelhante ao do macho. É utilizado, em média, um rufião para 30 vacas.

Em qual horário devo inseminar?

O final do cio é o momento ideal para proceder a IA, pois a probabilidade de fecundação é maior devido à alta fertilidade da vaca.

Assim, recomenda-se que vacas que apresentarem cio à tarde sejam inseminadas na manhã do dia seguinte e as que apresentarem cio pela manhã sejam inseminadas na tarde do mesmo dia. Escolha sempre os horários mais frescos e nos quais a fêmea possa ficar quieta/calma depois.

Antes de realizar a IA, analise a ficha da fêmea. Verifique as últimas ocorrências e em casos de anormalidade, ou se a vaca pariu a menos de 45 dias, não insemine.

Cuidados na Inseminação Artificial em Bovinos

Como foi visto, a inseminação artificial em bovinos é uma técnica simples. Contudo, alguns cuidados devem ser tomados. Alguns pontos a serem avaliados com cuidado são:

  • Adequada verificação do cio (como relatado acima no texto);
  • Não insemine vacas com problemas de saúde ou com menos de 45 dias de paridas;
  • Cuide da higiene dos animais, do manuseio do botijão de acondicionamento de sêmen, do local para realização da técnica, dos aparelhos que precisam ser totalmente esterilizados; 
  • Não menos importante, atente-se para a temperatura da água para o descongelamento, que deve ser entre 35 e 37 ºC, com tempo máximo de 30 segundos.

Devido à excelente relação custo/benefício da IA, que representa apenas 2% do custo de produção, esta é uma técnica que tende a ser cada vez mais utilizada!

Busque sempre a assessoria de um profissional qualificado.

Confira também nosso artigo sobre Inseminação artificial em tempo fixo.

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2018-06-12T12:00:50+00:00 0 Comments

About the Author:

Mestra em Ciências Veterinárias, Zootecnista e Técnica em Agropecuária

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